
"Um bom descanso é metade do trabalho" diz um provérbio iugoslavio. Bom, faz tempo que a palavra descanso foi retirada do dicionário dos trabalhadores do nosso ramo, principalmente para os jovens cujo tempo ultrapassa o padrão de 24 horas por dia diante de todas as necessidades básicas exigidas do humano após os 18 anos, e elas não são apenas o que comer, o que vestir e um teto para morar. Vejo por exemplo o meu colega de trabalho, a quem muito valorizo, se corroer pela ferrugem da sociedade que exige que você trabalhe e estude muito ou pouco terá a oferecer ao mundo, pelo menos ao mundo tecnológico.
Descanso ou exigências?
Em entrevista ao Olhar Digital, o presidente do sindicato dos trabalhadores, Antonio Neto, considerou a alegação "estapafúrdia" e disse que "os patrões querem um escravo altamente qualificado". De fato, a exigência de estudos está se tornando cada vez mais absurda, ao invés de buscar um funcionário com sabedoria, só se busca diplomas e anos de experiência. Sendo assim, desde jovem você precisa se matar em estudos e se contentar com um salário que mal paga os mesmo para conseguir ter algum tipo de futuro.

Para desencargo de consciência, apesar de pouco existir, o descanso ainda é uma preocupação de várias empresas com relação a seus funcionários. Como poderia negar isso diante da situação em que vivo onde minha líder, não chefe, líder, se preocupa mais com minha saúde do que com 8 horas de trabalho numa terça feira? Digo isso pois a mesma disse para que eu cuidasse da minha saúde quando mencionei que teria que fazer um exame.
Seria isso também o tal do descanso que evita que eu me torne escravo de meu trabalho? Provavelmente não, mas para um jovem que pouco consegue dormir a noite devido a ter de acordar cedo para chegar ao trabalho, por causa do transito, e ao fato de estudar até tarde da noite fazendo com que as famosas "8 horas de sono" nunca sejam alcançadas, dias como esses são extremamente importantes.
Final de semana? Bom, para muitos jovens pode ser sinônimo de descanso, para outros sinônimo de festa, para alguns outros poucos, responsabilidade. Os melhores momentos em que você poderia aproveitar a vida tem de ser comprados para os trabalhos universitários, as responsabilidades espirituais que considero tão importantes e a família.
O peso da aceitação
Então se formou o típico funcionário de TI. Aquele homem ou mulher que dedicou sua juventude aos estudos e ao trabalho e hoje, apesar de talvez até receber uma boa remuneração, é escravo do tempo. Escravo pois não consegue sair da rotina de trabalhar até mais tarde para dar conta do recado, pois não consegue mais cuidar de sua saúde pois deveria ter feito isso quando mais jovem, pois não consegue mais dormir direito diante das pressões da vida adulta... Saudades de trinta dias de férias.
Pensando bem, não há saudades daquilo que pouco existe. Quando vejo pessoas importantes para mim não ter tempo para passear com suas famílias por causa do trabalho, enxergo as correntes do trabalho em seus braços. E o mais normal? É que se você tenta levar uma vida tranquila e trabalhar como deveria, em paz e nos horários mais flexíveis, muitas vocês você é julgado por "não vestir a camisa da empresa", aplico isso também aos que trabalham remoto em suas casas para ficarem mais relaxados, que pegam uma folga enquanto eles estão viajando para clientes. Por quê mundo, por que?
Bom, não pensei muito ao escrever esse pequeno texto, afinal, o que sai de primeiro momento é o que está no coração e não o que está na mente. Mas como posso ser valorizado, sendo tão jovem, pelo que faço e não pelo tempo que vivo? Como posso encontrar o descanso já hoje para que eu ainda possa manter ele no futuro? Como não me corroer pelas exigências? Se eu não fizer o que eles exigem, outro fará.

Se "O preguiçoso fica pobre, mas quem se esforça (acho que deve trocar isso por enforca) no trabalho enriquece.", então meu futuro será difícil de manejar, mas pelo menos será feliz.
